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Ciência também pode ajudar a ganhar disputa de pênaltis

Kioskea segunda 25 de junho de 2012 - 14:41:50


O meia italiano Alessandro Diamanti (E) marca pênalti no gol do inglês Joe Hart em jogo das quartas de final da Eurocopa, em Kiev

O Departamento de Esportes e da Saúde da Universidade britânica de Exter pôs em andamento uma experiência de treinamento ocular ("Quiet-Eye Training") para tentar melhorar cientificamente as opções de se ganhar uma disputa de pênaltis numa partida de futebol.

O Departamento de Esportes e da Saúde da Universidade britânica de Exter pôs em andamento uma experiência de treinamento ocular ("Quiet-Eye Training") para tentar melhorar cientificamente as opções de se ganhar uma disputa de pênaltis numa partida de futebol.

Paradoxalmente, foi justamente a seleção inglesa de Roy Hodgson que viu escapar pelos dedos um grande torneio nos pênaltis, este domingo, em Kiev, quando perdeu para a Itália (4-2 após empate em 0-0), nas quartas-de-final da Eurocopa-2012.

As disputas de pênalti costumam ser consideradas "uma loteria" e o técnico italiano Cesare Prandelli afirmou, após a vitória de domingo, que em 80% dos casos a sorte entra em campo nestes casos.

Outros técnicos dizem ser impossível preparar uma disputa assim, pois o resultado depende de tranquilidade e instinto, mas Greg Wood, da Universidade de Exeter, acredita que outras variáveis também interferem.

Para ele, o treinamento, base de concentração e de resistência à pressão psicológica, está na essência de tudo. E por isso criou o treinamento dos olhos, em colaboração com seu colega, Mark Wilson.

Os dois obrigaram jogadores de sua universidade a olhar sistematicamente, durante várias semanas, os ângulos direito e esquerdo do gol, um e outro alternadamente, antes de cada chute de pênalti.

Resultado: seus alunos cometeram menos 50% de erros dos que os que não fizeram o exercício.

Segundo Wood, o treinamento permite aos estudantes ser mais precisos em seus chutes, em grande medida porque reduz a ansiedade e dá mais confiança ao controlar melhor as distâncias e manter a mente ocupada nos extremos do gol e não no goleiro.

Para Wood, o último recurso do goleiro em um pênalti, onde não há nada a perder, está em tentar romper a concentração do lançador, para desestabilizá-lo.

"Tudo o que um goleiro puder fazer para chamar a atenção do cobrador (uniforme ou luvas de cores vivas, por exemplo) joga a seu favor", explica Wood.

"Por exemplo, quando a gente viaja de carro e se vê algo á esquerda, em seguida tem a tendência de girar o volante na mesma direção. É incrível o número de pênaltis chutados no centro, na direção do goleiro, poque ele tem tido êxito na sua tentativa de desestabilizar", acrescentou o pesquisador universitário,.

Se o cobrador de um pênalti pudesse se isolar em uma bolha, com uma concentração total, então o fator que determinaria seu êxito ou seu fracasso seria a velocidade do chute.

Segundo matemáticos da Universidade John Moore de Liverpool, o pênalti perfeito deve ser chutado a uma velocidade compreendida entre 90 km/h e 104 km/h. Se for mais rápido, faltará precisão. Mais lentamente, dará tempo ao goleiro reagir.

A partir daí, os raciocínios científicos começam a encontrar limites.

Joe Hart, o goleiro inglês, tentou desestabilizar os jogadores italianos, captar seu olhar, fez caretas, movimentou os braços, tentou intimidar, mas seu time perdeu.

Do outro lado do campo, o italiano Gianluigi Buffon foi o herói da partida, defendendo o pênalti de Ashley Cole, e garantindo a classificação da 'Azzurra'.

O 'show' de Hart tampouco serviu para deixar nervoso Andrea Pirlo, que conseguiu marcar de 'cavadinha', a uma velocidade sensivelmente inferior aos 100 km/h recomendados pelos cientistas de Exeter.

Por fim, a Itália se classificou, eliminando a Inglaterra, demonstrando que futebol e ciência nem sempre caminham de mãos dadas.

© 2012 AFP

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