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Indígenas waorani pedem ajuda para salvar parque na Rio+20

Kioskea sexta 22 de junho de 2012 - 17:43:32


Indígenas waorani no parque Yasuni, na Amazônia equatoriana

Indígenas waorani do parque Yasuní, no coração da Amazônia equatoriana, pediram ajuda a líderes mundiais para salvar suas terras na cúpula Rio+20, apoiados pelo governo do Equador, que propõe não explorar o petróleo na área em troca de compensação financeira.

Indígenas waorani do parque Yasuní, no coração da Amazônia equatoriana, pediram ajuda a líderes mundiais para salvar suas terras na cúpula Rio+20, apoiados pelo governo do Equador, que propõe não explorar o petróleo na área em troca de compensação financeira.

A cúpula Rio+20 "foi uma imensa oportunidade para promover a iniciativa. A acolhida foi fenomenal, mas houve poucos fatos concretos. No entanto, tenho esperança de que a iniciativa tenha sucesso", disse o presidente do Equador, Rafael Correa, à AFP.

O Equador propõe não explorar petróleo em Yasuní em troca de doações de governos, empresas e cidadãos de 50% do valor das reservas petroleiras na região, ou 3,6 bilhões de dólares, que é o que pretendem obter até 2023.

Vestida de branco, com grandes brincos de madeira redondos e uma coroa de penas coloridas, uma jovem waorani de 22 anos chamava atenção no Riocentro, onde se celebra a cúpula da ONU Rio+20 sobre Desenvolvimento Sutentável, entre os funcionários da ONU e delegados de terno escuro.

"Sou Yaninangua, de nacionalidade waorani", disse à AFP após a apresentação durante a Rio+20 de um documentário filmado em Yasuní, na presença de Correa e outras autoridades.

"Nós somos porta-vozes dos líderes anciãos, de nossos avós (...). Minha avó pediu que seu patrimônio seja conservado, que é nosso, que nossa terra não seja destruída. Queremos dizer ao presidente, a todas as nações, que não se explore o petróleo na Amazônia, em nosso território waorani", afirmou.

A iniciativa arrecadou até agora pouco mais de 120 milhões de dólares, dos quais o aporte mais importante foi de 50 milhões de dólares da Itália, mediante uma troca de dívida. A meta é arrecadar 291 milhões de dólares anuais, que serão administrados pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD).

"Há algum tempo Luxemburgo nos aportou 1 milhão de euros" e haverá mais aportes de Qatar, Turquia e Líbano, disse nesta sexta-feira à AFP Ivonne Baki, chefe negociadora da iniciativa Yasuní, que aproveitou a cúpula da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável para tentar conseguir financiamentos.

"Isso deve ser um exemplo para o mundo, é isso que queríamos mostrar, se fala muito que é necessário fazer algo, mas se faz pouco na verdade. Isso é prevenção, não remediação; é não tirar o petróleo para deixar de lançar CO2 na atmosfera", disse Baki.


Vista da copa das árvores do Parque Nacional Yasuni, no Equador

O Equador propõe não explorar petróleo em Yasuní em troca de doações de governos, empresas e cidadãos de 50% do valor das reservas petroleiras na região, ou 3,6 bilhões de dólares, que é o que pretendem obter até 2023.

A crise econômica na Europa desacelerou os aportes, mas o Equador é otimista e espera conseguir uma "troca de dívida pelo ambiente" de cerca de 45 milhões de dólares após a recente eleição de François Hollande como presidente da França, assim como doações de grandes filantropos e empresas, disse.

"Líderes mundiais: (os indígenas waorani) pedem ajuda, respeito, ação", dizem as legendas do documentário exibido na cúpula.

"Esta é a minha terra, os alimentos desta terra pertencem aos meus netos. Fique em sua terra e se alimente lá. Porque esta terra é minha e eu me ocupo do que é meu", disse um waorani no filme.

O parque tem reservas de cerca de 846 milhões de barris, ou 20% das reservas provadas do país, cuja economia depende em grande parte do petróleo.

Segundo o Equador, não explorar o petróleo em Yasuní ajudaria a conservar a biodiversidade da maior selva tropical do mundo, protegeria o habitat dos indígenas e reduziria significativamente as emissões de CO2.

"Trouxemos a mensagem de nossos avôs e líderes, queremos que as pessoas do mundo escutem: sim ao desenvolvimento sustentável, não à derrubada de árvores", disse Timoteo Huamoni, de 29 anos, um indígena waorani que estuda antropologia.

© 2012 AFP

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