Os negociadores da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) tentavam, nesta quinta-feira, fazer avançar o projeto de documento final que, sob o belo título de "O futuro que queremos", está cheio de colchetes, demonstrando os muitos desacordos entre os países.
Os negociadores da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) tentavam, nesta quinta-feira, fazer avançar o projeto de documento final que, sob o belo título de "O futuro que queremos", está cheio de colchetes, demonstrando os muitos desacordos entre os países.
"Houve progressos" e o estado de espírito dos negociadores é "extremamente positivo", afirmou nesta quinta-feira Nikhil Seth, diretor da divisão de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, referindo-se aos avanços das negociações.
Ele revelou, entretanto, que o secretário-geral da conferência, Sha Zukang, havia solicitado aos delegados para "acelerar o passo" e "superar os interesses limitados e de curto prazo".
A última rodada de negociações preliminares, iniciada na quarta-feira no Rio de Janeiro, deveria ser concluída na sexta-feira. No entanto, considera-se nos corredores do Riocentro que se prolongue até a véspera da cúpula propriamente dita, que se inicia na próxima quarta-feira, uma informação que Seth se negou a confirmar.
Pressionado pelos jornalistas, Seth admitiu que de 21% do texto adotado pelos negociadores na semana passada, antes de virem ao Rio, hoje as negociações avançaram apenas para de "25% a 26%". Mas em uma negociação, afirmou, as posições são sempre "extremas" e "vamos encontrar, no fim das contas, uma via intermediária".
"O mundo inteiro observa o que nós fazemos aqui", insiste regularmente Sha Zukang, secretário-geral da Conferência, que apela ao espírito de compromisso.
O texto em si tem ao menos 81 páginas, com 97 artigos sobre os principais temas definidos pelas Nações Unidas: a reforma do quadro institucional do desenvolvimento sustentável, que carece de autonomia e autoridade; o projeto de desenvolvimento da "economia verde", e o estabelecimento de metas de desenvolvimento sustentável - "a jóia da coroa do documento", segundo Seth.
Em seguida, cerca de cinquenta páginas são dedicadas a vias de ação sobre os ângulos temáticos: erradicação da pobreza, água, energia, aquecimento global, saúde, oceanos...
Vários temas são discutidos com aspereza, renovando a tradicional oposição entre os países do norte e do sul, como aquele sobre a "responsabilidade compartilhada e diferenciada", colocado adiante pelo grupo de países em desenvolvimento e a China (G77+China), e aquele sobre transferência de tecnologia.
A respeito deste último assunto, os Estados Unidos querem que seja "voluntária", em nome dos direitos de propriedade intelectual, enquanto os países em desenvolvimento e a China sustentam que seja obrigatória. Os meios de financiamento, sobretudo a criação de um fundo de desenvolvimento sustentável defendido pelo G77+China, também gerou profundo desacordo.
Segundo Seth, também haverá no texto "pepitas de ouro", como o papel dos homens de negócios, da sociedade civil, das mulheres, das populações indígenas no avanço do desenvolvimento sustentável.
"Pela primeira vez, o conceito de economia verde é discutido em caráter intergovernamental", revelou. "Pela primeira vez as Nações Unidas querem dar uma direção e um sentido ao conceito de economia verde", acrescentou.
Nos corredores, certos delegados ironizavam, dizendo a boca pequena sobre o tema "o futuro que queremos corre o risco de se fazer esperar".
A 40 km do Riocentro, local das negociações, a sociedade civil dava os retoques finais na organização da Cúpula dos Povos, que começa nesta sexta-feira.
© 2012 AFP