Asteróides cobertos de gelo que caíram na Terra há uma centena de milhões de anos, após o nascimento dos planetas do sistema solar, podem ter trazido a água de nossos oceanos.
Asteróides cobertos de gelo que caíram na Terra há uma centena de milhões de anos, após o nascimento dos planetas do sistema solar, podem ter trazido a água de nossos oceanos, explica o geoquímico francês Francis Albarède em um artigo publicado nesta quarta-feira na revista científica britânica Nature.
No estudo, o cientista contesta a ideia comumente admitida, segundo a qual o oceano e a atmosfera teriam se formado a partir de gases vulcânicos.
"A Lua e a Terra eram secas, essencialmente logo após a formação da Lua, em seguida a um impacto gigante sobre a Prototerra" (primeiro estágio geológico da Terra); a água chegou mais tarde, resume Francis Albarède do Laboratório de Ciências da Terra (CNRS/ENS/Universidade Claude Bernard) na revista Nature.
Levando-se em conta cálculos recentes, as temperaturas eram muito elevadas entre o Sol no seu começo e a órbita de Júpiter, para que elementos voláteis, como o vapor d'água, pudessem se condensar em "embriões planetários".
A chegada de água à Terra corresponderia a um período situado entre 80 e 130 milhões de anos após a formação do sistema solar. Em seguida à agitação provocada pelos planetas gigantes gasosos nas trajetórias de asteróides e de outros fragmentos gelados, estes teriam cruzado a Terra trazendo suas reservas de água.
Introduzida no manto terrestre, esta água amoleceu-o, permitindo o aparecimento da "tectônica de placas, que pode ter sido crucial para que a vida emergisse", destacou Albarède.
Comparando Marte, Vênus e a Terra, três planetas com histórias diferentes, este cientista destaca o que caracteriza a Terra, a presença de uma tectônica de placas, modelando continuadamente os continentes, um oceano líquido e a vida, lembra.
Num momento em que saímos em busca de planetas extrassolares, é preciso indagar por que três planetas de nosso sistema solar são tão diferentes.
"A última década viu mudanças conceituais importantes na compreensão da história precoce dos planetas terrestres; agora, muitas surpresas poderão no esperar", concluiu Albarède.
© 2009 AFP