Gráfico sobre o estudo dos ribossomos que ganhou o Prêmio Nobel de Química.
A compreensão do funcionamento dos ribossomos, encarregados da fabricação das proteínas nas células, representa uma nova conquista importante para a genética moderna, após as descobertas da estrutura do DNA e depois do código genético, já reconhecidas pelo Prêmio Nobel.
James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins foram premiados, em 1962, por terem descoberto a estrutura em dupla hélice do ácido desoxirribonucleico (DNA), o núcleo das células de todos os organismos vivos.
A longa molécula do DNA é composta por quatro letras ou bases (Adenina, Citocina, Guanina e Timina) do alfabeto genético, cujas sequências formam palavras compreensíveis para a máquina celular.
Bem protegido no núcleo das células, o DNA fica ali alojado. Uma espécie de cópia do DNA, o RNA (ácido ribonucleico) mensageiro sai do núcleo para transmitir a informação genética para a fabricação das proteínas, as moléculas responsáveis pelo funcionamento de todo o organismo.
Estas proteínas podem ser comparadas a longos colares nos quais as pérolas seriam os aminoácidos. Uma proteína pode ser constituída de dezenas de milhares de aminoácidos. Por exemplo, a insulina que controla a taxa de açúcar no sangue é mais curta que a hemoglobina dos glóbulos vermelhos.
A tradução da linguagem do DNA-RNA em aminoácidos pode ser feita graças ao código genético, cuja descoberta foi recompensada por um Prêmio Nobel de Medicina atribuído em 1968 a Robert Holley, Har Gobind Khorana e Marshall Nirenberg.
Este "código genético" define as correspondências entre uma sequência precisa de três letras do RNA e um dos 20 aminoácidos.
Além destas primeiras descobertas fundamentais, Ada Yonath, Thomas Steitz e Venkatraman Ramakrishnan, recompensados pelo Prêmio Nobel de Química esta quarta, tentaram compreender e visualizar como é feita a fabricação as proteínas dentro das complexas estruturas em três dimensões, os ribossomos.
Um pouco como em uma produção em série numa fábrica, o RNA mensageiro portador do programa genético de fabricação de uma proteína entra no ribossomo. Pequenos RNAs ditos de "transferência", capazes de ler o programa genético, abastecem a fábrica em aminoácidos.
Graças ao ribossosmos, os aminoácidos assim transmitidos são reunidos na ordem prevista para formar aos poucos a proteína, que sai progressivamente da "fábrica" onde ela acaba de ser produzida.
© 2009 AFP