Terremoto pode aumentar risco sísmico do outro lado do mundo

Kioskea o Quarta 30 de Setembro de 2009 às 20:18:23

O estudo foi feito por geólogos americanos

Um tremor de terra poderá modificar as falhas e o risco sísmico nas regiões situadas do outro lado do mundo, segundo geólogos norte-americanos, que desenvolveram um método para medir a resistência das falhas e divulgaram os resultados na revista Nature.

Um tremor de terra poderá modificar as falhas e o risco sísmico nas regiões situadas do outro lado do mundo, segundo geólogos norte-americanos, que desenvolveram um método para medir a resistência das falhas e divulgaram os resultados na revista Nature.

Embora ainda sejam incapazes de prever os tremores de terra, os sismólogos podem calcular o aumento da pressão pelo movimento das placas tectônicas.

A resistência das falhas às pressões exercidas por essas placas é, entretanto, bem menos conhecida, principalmente devido às camadas geológicas situadas nas profundezas.

Os terremotos ocorrem quando uma falha se move, seja por causa do estresse acumulado pelo movimento das placas tectônicas, seja em decorrência de um enfraquecimento da própria estrutura da falha.

Para medir a resistência das falhas, Taka'aki Taira, da Universidade de Berkeley, e seus colegas utilizaram durante 20 anos sismógrafos ultrassensíveis para detectar fracas mudanças nas ondas sísmicas que atravessam a falha de San Andreas na altura de Parkfield, Califórnia.

Nessa localidade, os dados sísmicos revelaram áreas de fraturas repletas de líquidos nas camadas geológicas profundas.

"Os movimentos dos fluidos dentro dessas fraturas lubrificam a área da falha e a enfraquecem", ou seja, aumentam o risco de que a falha se mova em caso de abalo sísmico, explica Fenglin Niu, um dos autores do estudo citado em um comunicado da Carnergie Institution for Science.

Buscando compreender por que e como esses fluidos se deslocam, os pesquisadores notaram que, pelo menos em duas oportunidades, os enfraquecimentos da resistência da falha de San Andreas em torno de Parkfield ocorriam após terremotos maiores, principalmente após o de magnitude 9,1 registrado em 2004 ao longo de Sumatra e das ilhas Andaman, que provocaram uma imensa tsunami no Oceano Índico.

"Os maiores tremores podem ter uma influência global sobre a resistência dos sistemas de falha em todo o planeta", segundo os autores do estudo.

Os pesquisadores ressaltam neste sentido um número pouco inabitualmente elevado de tremores de terra de magnitude igual ou superior a 8 em todo o mundo desde a tsunami de dezembro de 2004.

O outro grande terremoto, muito mais próximo, que pode ter afetado a falha de San Andreas foi o de Landers, de magnitude 7,3 no sul da Califórnia, em 1992. "Enfraquecendo a falha (de San Andreas), ele provocou uma série de terremotos de magnitude superior a 4", de acordo com o estudo.

Em escala regional, o efeito de um grande terremoto é comprovado, segundo o especialista francês Robin Lacassin, que frisa, no entanto, que esse não é o caso das maiores distâncias.

"Se você tem uma zona de um certo tamanho que se rompe, 1.000 km no caso da falha ao longo de Sumatra, o ambiente tectônico é modificado na mesma escala ou talvez até o dobro, 2.000 km, a priori não mais que isso", explicou esse especialista à AFP.

Ele acrescentou que, para uma resistência maior, não há efeito comprovado além de algumas horas imediatamente após o terremoto. Durante esse lapso de tempo, a propagação das ondas sísmicas imediatamente abaixo da superfície pode provocar terremotos, quando as ondas cruzam as falhas.

© 2009 AFP