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Vírus Flame : nova etapa na ciber-guerra ?

Abril 2015


Todos os peritos concordam sobra a influência de um Estado por atrás deste software de espionagem ultra sofisticado, mas atenuam a importância de um vírus ainda circunscrito.

Dois anos depois do perigoso vírus Stuxnet que visava paralisar as centrais nucleares iranianas, eis que aparece Flame (ou Flamer). Um vírus ultra sofisticado e difícil a detectar concebido como uma super caixa de ferramentas para ciber espiões. Depois de infectar o computador, o software pode roubar qualquer documento ou e-mail, listas de contatos, fazer copias de tela, gravar as senhas digitadas, até mesmo gravar conversas que acontecem ao lado do computador via o microfone ou a webcam.

Um vírus « utilizado como ciber-arma para atacar entidades em diversos paíse », explica a empresa de segurança informática Kaspersky, que descobriu Flame. "O objetivo principal é realmente o roubo de informações em absoluto », declara Heslault, perito em ciber-criminalidade da sociedade americana.

As informações roubadas são transmitidas para uma rede de servidores espalhados através do mundo. No total, cerca de 1.000 máquinas foram infectadas. São computadores situados na Cisjordânia, no Irã, no Líbano, na Síria, no Sudão, na Arábia Saudita, no Egito, nos Estados Unidos. Na Hungria, na Áustria, na Rússia e em Hong-Kong. « A infecção se mostra bastante direcionada e toca mais computadores profissionais, em bancos por exemplo, que computadores pessoais, ressalta Laurent Heslault.

Flame : "uma implicação estatal »

De acordo com Kaspersky, Flame circula desde março de 2010. Estes ataques ultra direcionados, a grande complexidade do código criptografado, a extrema discrição de um vírus que pesa 20MB (contra uma média de 30kb), reavivam os temores de uma guerra cibernética. "O risco de uma ciber-guerra é uma das ameaças mais graves no campo da segurança do computador ha vários anos", alertou Eugene Kaspersky, co-fundador e CEO da Kaspersky.

Um discurso alarmante contra um vírus, do qual pouco se sabe. Mas, "Não se entreguem ao marketing do medo", Lawrence sombra Heslault. "Temos que relativizar a importância do Flame, que reúne várias tecnologias conhecidas. Flame não é mais do que uma ferramenta de espionagem que já infectou pelo menos de 1.000 computadores em todo o mundo, contra 60.000 no caso do vírus Stuxnet", disse o especialista Symantec. Os vestígios deixados por este novo vírus, no entanto, são pensados em relação ao "envolvimento do Estado", admite ele.

Stuxnet é um vírus informático, descoberto em 2010, capaz de infectar e se replicar em todos os sistemas Windows, mas cujo único propósito foi o de perturbar o poder iraniano.
De acordo com várias fontes mídias, Flame foi usado para atacar o Ministério iraniano do Petróleo e do principal terminal de petróleo do país. Desde esses dois últimos anos, o país é alvo de ataques a computadores que o regime de Teerã atribui aos Estados Unidos e a Israel.

Se já está mais ou menos determinado que a inteligência dos EUA e Israel criaram Stuxnet, nada é certo ainda em relação ao Flame. O governo israelense, no entanto, justificou a utilização de tais vírus para "parar [...] a ameaça iraniana", disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Moshe Yaalon. "Nós desenvolvemos o nosso poder de dissuasão", disse o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu.
Flame, ciber guerrilha muito mais que ciber-guerra.


Na espera de saber mais, diante do Flame, a ideia de uma nova etapa na ciber-guerra é rejeitada, estima Nicolas Arpagian, coordenador de ensino no INHESJ e autor da "ciber-segurança". Trata-se aqui, mais de uma ciber-guerrilha, de um ciber-combate de rua, onde todos os golpes são permitidos."

O perito ressalta ainda que com o Flame, "a influência de um ou mais Estados é evidente, mas uma tal ferramenta poderia também ser utilizada para a espionagem industrial".

Os estados ocidentais sobretudo se interessam desde já muito tempo no desenvolvimento de ciber-armas. Trinta países, como a França, teriam unidades de ciber-guerra. A Agência americana de Segurança, a NSA, previu gastar 30 miliares de dólares nos cinco próximos anos para o seu programa de ciber-defesa. Os Americanos estão, com efeito, bem inquietos pela vulnerabilidade de sua rede elétrica que funciona com fraco custo graças à internet. Tanto que "infiltrações », de ameaças de futuras sabotagem, foram detectadas, a China seria o suspeito.

Os estados Unidos, mas também Israel, o Japão ou a Alemanha, reconheceram também que pensam na criação de armas ofensiva. "Em todos os países desenvolvidos, atualmente em guerra ou não, são desenvolvidas ciber-armas para atacar outros estados », afirma Nicolas Arpagian.


Tradução feita por Ana Spadari
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Publicado por ninha25.
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