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Webmastering - Ergonomia de um site web

Março 2015

Noção de ergonomia

A ergonomia é a utilização de conhecimentos científicos relativos ao homem (psicologia, fisiologia, medicina) com o objectivo de melhorar o seu ambiente de trabalho. A ergonomia caracteriza-se geralmente de acordo com duas componente:

  • A eficácia, que consiste em adoptar soluções adequadas de utilização de um produto, para além do bom sentido do criador;
  • A utilização, relativa à adequação às capacidades do utilizador. Tem duas vertentes:
    • conforto de utilização, consistindo em reduzir ao máximo o cansaço físico e nervoso.
    • segurança, consistindo em escolher soluções adequadas para proteger o utilizador;



Aplicada à web, a ergonomia de um síte web pode ser definida como a sua capacidade para responder eficazmente às expectativas dos utilizadores e fornecer-lhes um conforto de navegação.

A principal dificuldade que a ergonomia tenta ultrapassar é a diversidade dos perfis de visitantes. Os critérios seguintes são geralmente determinantes para um website:

  • expectativas do utilizador : nem todos os visitantes do site procuram necessariamente a mesma informação ou não têm necessariamente as mesmas exigências em termos de grafismo.
  • hábitos do utilizador : correspondem a comportamentos adquiridos.
  • idade do utilizador : caracteriza em geral a capacidade de adaptação do utilizador e a sua rapidez de navegação.
  • equipamentos : trata-se de uma das dificuldades essenciais. Com efeito, a apresentação do site poderá variar de um equipamento para outro, em especial de acordo com o navegador e a resolução do ecrã.
  • nível de conhecimentos : nem todos os visitantes do site serão ases da informática. A ergonomia do site deve ser pensada para o utilizador menos experiente.

Características humanas

Os estudos psicológicos efectuados sobre o Homem mostraram certas aptidões, assim como diversos limites. O objecto da ergonomia é tirar partido destes elementos psicológicos, para criar um interface eficaz e confortável de utilizar.

O ser humano, de acordo com o modelo do “processador humano”, percebe o ambiente através do seu sistema sensorial (5 sentidos: tacto, visão, audição, olfacto e paladar), memoriza e planifica acções com a ajuda do seu sistema cognitivo (cérebro) e, por último, age graças ao seu sistema a motor e graças à linguagem.

Entre os 5 sentidos, a visão é o sentido mais desenvolvido, enquanto que se considera que o gosto e o olfacto são pouco desenvolvidos. Assim, na medida em que se considera que a percepção visual pode representar quase 50% da actividade do cérebro, trata-se do modo privilegiado para os interfaces dos utilizadores.

A cada um dos sistemas corresponde uma memória e um processador. As teorias da psicologia distinguem três tipos de memórias:

  • A memória sensorial, permitindo armazenar a informação sensorial (tratamento dos estímulos) durante cerca de um quarto de segundo (250 ms),
  • A memória a curto prazo (ou memória de trabalho), capaz de armazenar um número restrito de mnemes (em inglês “chunks”, ou “unidades de informação”, isto é, motivos visuais ou sonoros como uma palavra, etc.) durante vários minutos. Estudos publicados por Georges MILLER em 1956 (Magical number seven), mostraram que o ser humano é capaz de processar simultaneamente 7 mnemes (mais ou menos dois).
  • A memória a longo prazo, capaz de armazenar um número infinito de informações de maneira permanente.

Os três tipos de memória estão fortemente ligados. Assim, um ambiente que apela fortemente aos sentidos (música, vídeo, lugar agradável) facilita a aprendizagem a curto prazo. É por esta razão, nomeadamente, que a aprendizagem pela acção é muito eficaz. Os ambientes multimédia permitem, por exemplo, a apropriação muito rápida do interface pelas crianças, e aprender “sem se aperceber”.

Além disso, a repetição é uma forma de passar a informação da memória a curto prazo para a memória a longo prazo. O processo de memorização a longo prazo faz-se com base num princípio de associação: a recuperação de um mnème na memória a longo prazo será ainda mais fácil se estiver associado conceptualmente a outros mnemes.

“A teoria da acção” (User Central System Design, Donald A. NORMAN, 1986) modela as acções e reacções do homem. Esta teoria assenta em dois conceitos :

  • O homem concebe modelos simples para definir o seu comportamento;
  • O homem decompõe as suas acções de acordo com um ciclo que compreende 7 etapas :
    • Estabelecimento de um objectivo : trata-se de uma representação mental de um estado a atingir;
    • Formulação de uma intenção : trata-se da decisão de atingir o objectivo fixado;
    • Estabelecimento de um plano de acção : representa a sequência de acções a efectuar;
    • Realização do plano de acção : consiste em activar o sistema motor;
    • Percepção do estado do sistema, descrevendo sob a forma de variáveis psicológicas a percepção da mudança pelo organismo;
    • Avaliação do estado atingido em relação aos objectivos inicialmente fixados.

teoria da acção



Quando o objectivo inicial é complexo, é decomposto em objectivos sucessivos, atéque o objectivo seja realizável. O sub-objectivo traduz-se então numa acção, conduzindo à definição de um novo objectivo. A teoria da acção define assim duas distâncias que caracterizam o desvio entre o objectivo definido pelo utilizador e sua realização:

  • A distância de execução, representando o desvio entre o objectivo e o estado do sistema no ramo descendente;
  • A distância de avaliação, representando o desvio entre o estado do sistema e o objectivo no ramo ascendente.




A avaliação destas duas distâncias permite ao utilizador avaliar o esforço necessário para fazer corresponder a sua representação mental com o objectivo fixado.

Esta lista de características psicológicas está longe de ser exaustiva. A ergonomia permite tirar partido destas considerações comportamentais e dos mecanismos de aprendizagem para criar interfaces homens-máquina ergonómicos. Decorre nomeAssim, segundo os elementos apresentados acima :

  • uma lista de items deve, preferivelmente, comportar menos de 7 elementos;
  • o uso de cores e de sinaléctica que unifiquem os elementos de interface ajuda o utilizador a apropriar-se dele;
  • mensagens curtas facilitam a sua memorização;
  • o estado do interface deve representar fielmente o estado do sistema. Isto significa, nomeadamente, que devem ser criadas mensagens de alerta adequadas .

Critérios de ergonomia


Os principais critérios de ergonomia de um website são os seguintes (lista não exaustiva) :


CritérioSubcritérioDescrição
Sobriedade
Sobriedade
Simplicidade um site muito depurado reforçará a credibilidade da organização.
Pouco carregado As imagens animadas são de evitar. A animação deve ser privilegiada para mostrar mensagens fortes, porque atraem o olhar do usuário da internet.
Legibilidade
Legibilidade
Clareza Convém ter em conta o facto de as informações escritas serem mais difíceis de ler num ecrã que em papel (25% de tempo de leitura suplementar). Assim, o texto deverá ser suficientemente espaçado.
Estruturação O texto deverá ser estruturado em parágrafos e títulos de diferentes níveis, para facilitar a leitura
Organização Os elementos de informações devem ser hierarquizados por nível de importância. Os elementos mais importantes devem figurar na parte superior da página.
Utilização
Utilização
Facilidade de navegação “A regra dos 3 cliques”, amplamente seguida, estipula que qualquer informação deve ficar acessível com menos de 3 cliques
Localização A qualquer momento, o visitante deve conseguir situar-se no site. Além disso, o logotipo deve estar presente em todas as páginas, no mesmo sítio, e deve aplicar-se um ambiente gráfico uniforme ao conjunto das páginas, para permitir ao utente saber que continua no mesmo site. Um mapa do site pode constituir um excelente meio para permitir ao visitante saber onde está.

Liberdade de navegação
O site deve dar a possibilidade ao utilizador de voltar à página inicial e às principais rubricas com um simples clique, qualquer que seja a página em que se encontre (graças a uma barra de navegação, por exemplo). Na medida do possível, o utilizador deverá poder navegar no conteúdo sem ter de voltar à página inicial. As páginas de introdução ou páginas intercalares (splash screen) são de evitar, pois enervarão a maior parte dos visitantes.
Visibilidade do endereço O URL da página corrente deve estar sempre visível e ser suficientemente explícito para permitir ao utilizador situar-se, de forma a poder voltar a essa página facilmente.
Tangibilidade da informação As informações presentes no site devem ser referenciadas, ou seja, elementos como a data de actualização ou o nome do autor devem estar presentes. Por outro lado, é nefasto para um síte propor uma fachada atractiva que conduz a páginas em manutenção.
Homogeneidade da estrutura Os elementos de navegação devem estar no mesmo sítio em todas as páginas e, se possível, mantendo uma apresentação uniforme.
Rapidez
Rapidez
Tempo de carregamento O tempo de carregamento de uma página deve ser o mais curto possível, porque a maioria dos usuários da internet perdem a paciência ao fim de 15 segundos de carregamento de uma página. Este factor depende nomeadamente da conexão do visitante, da dimensão da página e das suas imagens, bem como das capacidades do servidor web.
Imagens optimizadas Convém optimizar ao máximo a dimensão das imagens, escolhendo um formato adaptado e um número de cores o mais reduzido possível. É recomendável não ter mais 30 a 40 ko máximo por imagem, excepto se assim o desejar (por exemplo, no caso de uma imagem de alta resolução).
Não alterar as dimensões das imagens Pela mesma razão, as imagens devem figurar, de preferência, na sua dimensão real.
Interactividade
Interactivité

Ligações hipertextuais
A interactividade caracteriza as interacções possíveis entre o utilizador e o website. As ligações hipertextuais oferecem vastas possibilidades neste domínio e oferecerem ao visitante percursos múltiplos, consoante os seus desejos. É aconselhável criar bastantes ligações entre as diferentes páginas. Pelo contrário, demasiadas ligações podem tornar a leitura difícil.
Segmentação da informação Para permitir ao visitante assimilar melhor a informação e, em certos casos, suscitar a sua curiosidade, é aconselhável segmentar a informação. A segmentação da informação pode traduzir-se, nomeadamente, por um lead e uma ligação hipertextual que conduz ao resto do artigo.
Simplificação das trocas É desejável facilitar o intercâmbio com os visitantes, nomeadamente para recolher as suas impressões e os seus pedidos, para fazer evoluir o síte. No mínimo, o visitante deve poder encontrar facilmente o meio para contactar uma pessoa, por correio electrónico ou graças a um formulário de contacto.
Adaptabilidade
Adaptabilidade
  A adaptabilidade é a possibilidade de personalização do site mediante a intervenção do utilizador.
Tamanho da letra Os textos do síte devem de preferência utilizar um tipo de letra cuja dimensão não seja fixa, para poder ser alterada pelos utilizadores, se assim o desejarem.
Adaptação
Adaptação
  A adaptação representa a possibilidade de personalização automática do site, sem intervenção do utente.
Acessibilidade
Acessibilidade
Universalidade do acesso A acessibilidade é a capacidade que o site deve ter de ser consultado universalmente, ou seja, por todo o tipo de utilizador, incluindo cegos e amblíopes. Existem várias regras de acessibilidade simples, que permitem o acesso de um grande número de utilizadores ao site, qualquer que seja a sua configuração de software e material ou a sua deficiência.
Interoperabilidade

O respeito dos padrões, em especial as recomendações de acessibilidade do W3C, permite garantir um bom nível de interoperabilidade, ou seja a capacidade de o site ser consultável por diferentes clientes de software.

Transparência dos formatos Os formatos utilizados devem, de preferência, ser transparentes, ou seja, consultáveis em modo texto. Assim, preferiremos o HTML ao Flash. Além disso, as imagens ou animação não devem sobrepor-se às informações textuais ou constituir um obstáculo para os deficientes visuais. As ilustrações gráficas devem, por isso, ser utilizadas unicamente como complemento visual do texto.
Legenda Uma legenda ou um texto de substituição devem ser usados para substituir as imagens (graças ao atributo alt), para permitir aos deficientes visuais compreender o sentido da imagem.
Escolha das cores As cores devem ser escolhidas de forma a que a informação seja legível para pessoas que não distinguem as cores correctamente (daltónicos).
Uso adequado das folhas de estilo A informação deve estar acessível, mesmo sem folha de estilo.
Contraste adaptado O nível de contraste entre a cor de fundo e o texto deve ser suficiente para permitir a leitura aos amblíopes.
Dimensão das letras passível de alteração A dimensão das letras deve ser adaptável, para se poder aumentar o tamanho dos textos se necessário. A letra utilizada não devem ser demasiado pequena, pois isso pode cansar a vista dos leitores ou ser ilegível.
Para uma leitura offline, é possível baixar gratuitamente este artigo no formato PDF:
Webmastering-ergonomia-de-um-site-web.pdf

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